Desalento


Que tempos são estes?
Que tempos são estes em que vivemos tempos sombrios?
Que tempos são estes que vivemos que implica silenciar horrores?
Que tempos são estes que nos afastam das lutas do mundo?
Que tempos são estes que não satisfazem os nossos desejos?
Que tempos são estes e o que nos fazem sentir?
Sinto sinais de desalento e de desencanto. Sei que não é sono, nem dor física. Só sei o que sinto. E o que sinto, é que vários componentes desta humanidade fracassaram. É isso o que sinto. Sinto que esta humanidade tornou-se num vulcão revolto de iras e ódios, contra a vida e a felicidade.
Somos uma alma no meio de tantas. Somos almas que choramos e almas ignoradas. Somos lágrimas que derramamos por um rosto triste e sem carinho. Somos almas que de certa forma procuramos outras almas capazes de sentirem e sorrirem junto de nós, mas poucas são as que as encontram.
Num desalento da alma e num corpo cheio de mágoas, ela despeja-se em lágrimas por tanta infelicidade e uma tristeza sem fim. É uma dor que poucos são capazes de compreender, a dor de um corpo que se sente a perder por já não ter forças para continuar a lutar. Entre lutas e controvérsias, lágrimas e solidão, ficam para memória as marcas de tentativas falhadas de ser feliz na vida. É como aparecer um arco íris a preto e branco.
Não saber lidar com as decepções, é como não saber lidar com o passado, para plantar o presente para colher no futuro. As interrogações nas decepções, levam-nos a indecisões desgovernadas vagueando sem rumo. Andamos daqui para ali e dali para acolá. Pulamos neste ciclo planetário de mudanças irracionais, tomado por ventos que nos levam sem rumo, por vezes, ferindo-nos à medida que vamos pulando sem sabermos lidar com paciência o que vamos aprendendo. Vamos acumulando as mágoas de revolta dentro de nós. Vamos enfraquecendo e envelhecendo num curto período de um tempo que tem prazo de validade e esquecemo-nos que somos comandados pela natureza que habita dentro de nós. Temos de saber conviver com ela de maneira pacífica e harmoniosa. Lutar contra a natureza, é lutar contra tempo perdido. Contra a natureza seremos sempre derrotados. Mesmo apesar do desalento que nos domina, temos de aprender a viver em harmonia, intensamente e incondicionalmente. A lei que nos domina, é o amor!

Em tempos de desalento, é a solidão que nos domina. É o não ser compreendido e invisível no meio de uma multidão com que nos cruzamos todos os dias. É querer conversar e não falar a mesma língua. É andar por caminhos escuros e desertos sem ter quem abraçar e sentir o calor do abraço. É um vazio de estar só e não sentir os olhares conversarem, apenas sentir olhares indiferentes e silenciosos que nos rodeiam que nos deixam mais vazios e desconfortáveis. É querer apenas estar junto e desnudar a alma e sentir-se coberto por um manto de amor que nos cobre por inteiro até ao travesseiro.
Em tempos de desalento, a chuva cai sobre a terra como um rio de lágrimas, os dias ganham cor de chumbo e nos meus olhos tristes renovam a esperança de ver a aurora anunciar o nascer do sol, para que seque as lágrimas derramadas e com uma persistência especial, conseguirmos atingir o nosso objectivo e tocarmos o que nos é ideal, que nos faz viver e, ao mesmo tempo, nos faz feliz.
Em tempos de desalento, não podemos esmorecer às primeiras chuvas e às dores de impotência que se agarram à nossa pele e sim, procurar com perseverança um ponto de equilíbrio que devemos cultivar.
Trabalhar arduamente, lutar, conquistar e seguir em frente sem medos. Lutar por um sonho pode ser particularmente difícil, mas entre a chuva e a aurora temos de ser artistas para ver as violetas no horizonte.
Protagoniza a vida que queres que exista dentro de ti!

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